(Paródia ao texto de Carlos Drummond de Andrade, "Balada do Amor Através das Idades")
Eu te gosto, você me gosta,
desde tempos imemoriais.
Eu era de Sodoma, você de Gomorra, de Gomorra mas não puta.
Deus resolveu destruir tudo
e Abraão não pode impedir.
Matou, destruiu, morremos.
Virei uma poderosa rainha,
com um belo rei de fachada.
Na porta de meu castelo
encontrei-a novamente.
Mas quando vi você nua,
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
mandei soldados para te salvar
e nenhum me obedeceu.
Desci em um pulo desesperado
e o leão comeu nós duas.
Depois fui uma louca excomungada,
chamavam-me de feiticeira.
Fiz uma magia,
achei seu esconderijo.
O bispo inquisidor descobriu nosso caso
e nos jogou na fogueira.
Depois (tempos mais amenos)
fui prostituta na França,
espirituosa e devassa.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de conventos,
te escondi em meu cabaré,
e enfim fomos levadas à guilhotina.
Hoje sou moça moderna,
rio, pulo, danço, choro,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma mulher notável,
chora, dança, pula, ri.
Os outros é que não fazem gosto.
Mas depois de mil peripécias,
aprendemos que a nossa felicidade
depende somente de nós,
e não da sociedade.
Rach la Flor
17 04 2007
me encantó esta versión
ResponderExcluirmuy buena!
beijinhos
I.